26 de outubro de 2026 · 5 min de leitura
Tabela de frete mínimo ANTT: como funciona em 2026
O piso mínimo soma deslocamento (km × CCD) e carga/descarga (CC). Os coeficientes mudam por tipo de carga e por número de eixos.
O frete rodoviário de cargas tem um valor mínimo legal. Não é recomendação de mercado nem média: é o piso definido pela Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, calculado com coeficientes publicados pela ANTT.
A fórmula
O cálculo tem dois componentes:
Piso mínimo = (distância em km × CCD) + CC
- CCD — coeficiente de deslocamento, em reais por quilômetro. É o custo de rodar.
- CC — coeficiente de carga e descarga, em reais, cobrado uma vez por operação.
Os dois variam conforme o tipo de carga e o número de eixos carregados do veículo. Uma carga geral em 5 eixos tem coeficiente diferente de uma carga perigosa em 9 eixos — e a diferença não é pequena.
As quatro tabelas
A resolução organiza os coeficientes em quatro tabelas, e escolher a errada muda o resultado:
- Tabela A — carga lotação, com contratação da composição veicular ou caminhão simples
- Tabela B — contratação apenas do veículo automotor de cargas
- Tabela C — carga lotação de alto desempenho
- Tabela D — alto desempenho, apenas o veículo
Alto desempenho se aplica a operações com características específicas de produtividade. Usar a tabela de alto desempenho numa operação comum resulta em valor abaixo do piso — e é aí que aparece a autuação.
Nem toda combinação existe
Algumas combinações de tipo de carga e número de eixos não têm coeficiente publicado, porque não acontecem no mercado brasileiro. Granel sólido em 2 eixos, por exemplo, não está nas tabelas B e D. Se você chegar numa combinação sem valor, é sinal de que a classificação da operação está errada.
Como conferir o valor da sua operação
Montamos uma calculadora de frete mínimo que faz o cálculo com os coeficientes oficiais e mostra CCD, CC e o total. É gratuita e não exige cadastro.
O que não está incluso no piso
Pedágio, diárias, estadias e despesas acessórias são tratados à parte no contrato. O piso cobre deslocamento e carga/descarga.
E o cadastro do transportador
O piso mínimo protege quem opera legalmente. Para emitir o documento de transporte e operar em regra, o transportador precisa do RNTRC ativo — cadastro a partir de R$ 276, com protocolo em até 24h úteis.
Como ler as tabelas oficiais
Cada tabela tem duas linhas por tipo de carga: uma com o CCD, em reais por quilômetro, e outra com o CC, em reais por operação. As colunas são o número de eixos carregados. Um valor ausente significa que aquela combinação não tem coeficiente publicado.
Isso acontece porque algumas combinações não existem na operação brasileira — granel sólido em 2 eixos, por exemplo, não aparece nas tabelas de contratação apenas do veículo.
Eixos carregados, não eixos do veículo
A contagem é de eixos carregados. Um cavalo mecânico com semirreboque pode ter rodagem em que nem todos os eixos estão carregados na operação — e isso muda o coeficiente. É uma das confusões mais comuns em conferência de frete.
Erros que fazem o cálculo sair errado
- Usar a tabela de alto desempenho em operação comum, o que derruba o valor abaixo do piso
- Contar todos os eixos do conjunto em vez dos carregados
- Classificar carga perigosa como carga geral, quando o coeficiente é maior
- Esquecer o CC, cobrado uma vez por operação
O piso é mínimo, não é tabela de preço
Nada impede cobrar acima do piso. O valor mínimo existe para proteger o transportador de fretes abaixo do custo, e o mercado pratica valores maiores em rotas com retorno ruim, carga de difícil manuseio ou prazo apertado.
Como citar a fonte
Os coeficientes desta página vêm da Resolução ANTT nº 5.867/2020, Anexo II, com a redação dada pela Resolução nº 6.084/2026. Quando houver nova atualização, a calculadora é atualizada junto.
Como aplicar isso na prática
A calculadora de frete mínimo faz a conta com os coeficientes oficiais no seu caso. Para emitir o documento da viagem com o valor correto, o transportador precisa do cadastro ANTT ativo e do veículo vinculado por inclusão de veículo.
O que a tabela não resolve sozinha
A tabela dá o piso para a combinação de tipo de carga e número de eixos, multiplicado pela distância. Três coisas ficam fora da conta e não podem ser ignoradas: pedágio, que não entra no piso; carga e descarga, que tem valor próprio por composição; e a distância real rodada, que nem sempre é a do mapa. Quando o contratante oferece valor abaixo do piso, o CIOT não fecha com aquele valor. É por isso que a conferência do frete antes de emitir o documento evita ter de refazer a viagem inteira.
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